Renascere humanum est
Pensava ter-me perdido na noite, não via nada para lá do capúz que me tapa a face, talvez para que desse a entender algo atravéz de uma aparência furtiva ou pura e simplesmente por motivos desconhecidos. Observo a escuridão que me rodeia sem delimitar qualquer tipo de raciocinio, como se deixasse que o tempo e o espaço passassem por mim enquanto penso em afastar-me de mim mesmo, do meu corpo, do meu estado fisico. Vejo o chão afastar-se de mim como se estivesse a fugir, deixando a leve sensação de que poderei cair em qualquer momento. Vejo a cidade ao longe, o que resta dela pois uma parte encontra-se coberta por nuvens que me impedem de a observar, consigo no entanto ver o meu corpo estendido no chão sem qualquer tipo de reacção. Apercebo-me que do outro lado do rio, bem lá ao longe, uma figura que me é estranhamente familiar, vejo-a gritar, ela corre para atravessar a ponte que une as duas margens e abraça o meu corpo que continua desfalecido no asfalto gelado. Não consigo ouvir os prantos que ela libera, vejo muitas outras pessoas aproximarem-se horrorizadas com o cenário e quando ela encosta a sua face na minha num gesto estranhamente familiar, reconheço-a...
Devo voltar!
Preciso voltar!!
A escuridão desaparece assim que eu, como que em desafio ao destino fatal que se tenta apoderar de mim, me debato para me libertar deste cenário tão maravilhoso como aterrador, ficando eu coberto de uma estranha luz que surge de lado nenhum mas me faz sentir reconfortado, sinto que de alguma maneira me encaminho novamente para o asfalto aproximando-me do corpo que deixara para trás e da bela jovem que me abraça.
Fecho os olhos como que desejando que de alguma maneira o meu corpo e alma se voltem a fundir num só e começo a ouvir a sua voz cada vez mais próxima, sinto o abraço desesperado dessa mesma jovem a envolver-me cada vez mais forte ao mesmo tempo que sinto as lágrimas dela a precorrer a minha face.
Abro os olhos e sem saber porquê pergunto-lhe:
-O que se passou amor?
Ao que ela responde:
-Não me voltes a fazer nada assim!
Lembrei-me de tudo o que esquecera por um breve instante, lembrei-me de quem ela era, de que ela fazia parte de mim e mais que isso, lembrei-me que lhe havia prometido que nunca a abandonaria...
Alguém disse: "A arte de amar não só é a mais bela como a mais poderosa de todas, o amor não consegue esculpir estátuas nem tão pouco pintar quadros mas define a força da alma."
Esse alguém, fui eu!
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Artwork de Johny Myko, avaiable on:
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